Cheguei a Buenos Aires no dia 22/06, há poucos minutos do jogo do Brasil x Japão. Procurei, procurei e não achei uma só televisão no aeroporto. Sem lembrar que estava em território hermano, pensei: “Putz! Nem parece que é Copa do Mundo! E dia de jogo do Brasil!”
Aí reparei que algumas pessoas me olhavam de um jeito estranho. A moça que entregavas panfletos me olhou estranho ao entregar o papelzinho que minutos depois eu jogaria no lixo… o rapaz do free-shop fez cara feia ao abrir a porta pra mim quando eu disse “Obrigado!” em vez de “Gracias!”…
…tudo isso só porque eu tava com a camisa da seleção!
Foi engraçado ver como todas as pessoas que visivelmente acompanhavam a Copa, olhavam a amarelinha com maus olhos. Me senti mais ou menos como um cara usando a camisa “100% branco” no Pelourinho, só pra ilustrar.

Foto perigosa na frente da Casa Rosada
Depois da usual demora no translado, acabei assistindo o jogo no salão do hotel em companhia de um japonês que, mesmo vendo a seleção brasileira virar o jogo, ainda vibrava quando os japas tocavam na bola. No final, Zico e Parreira se abraçaram e eu subi para deixar as malas no quarto do hotel.
Nos dias em que estive por lá, ví muita coisa boa. O povo argentino é muito simpático com os turistas, e ao contrário do que dizem por aí: Maradona é ídolo. Muito mais do que Pelé para nós. Muito mais mesmo!! Em toda parte se encontram faixas e cartazes com o dieguito.
Conheci os tradicionais bairros da Boca (do Clube Boca Juniors) e Caminito, sem falar no city tour que me fez entender porque dizem que a Argentina é um pedacinho da Europa na América Latina.

Cerveja Quilmes!
Assisti o jogo Argentina x México (um dos melhores jogos da copa) num shopping center e imagine o que é ver TODOS os vendedores usando camisas azuis e brancas, somado às pessoas que estavam “fazendo compras” com os rostos pintados e usando chapéus engraçados! Era uma torcida e tanto! Eu me juntei a uma galera que estava num dos maiores corredores assistindo tudo em várias tvs de plasma que estavam à venda. Show de bola.
Na volta, passei pelo Obelisco e aquilo lá estava bombando, parecia carnaval em Salvador. De noite fui pro Cassino flutuante perder alguns pesos e depois jantei no Puerto Madero (um point com excelentes restaurantes de lá).
No domingo eu acordei com um sono da zorra e fui, ainda arrastando o lençol, para o salão do térreo tomar café da manhã. Estava chovendo, mas ainda assim peguei o tour no delta do Rio Paraná, na província de Tigre (na Argentina o lance dos estados é um pouco diferente: Lá existem províncias que têm suas localidades, e cada localidade tem suas cidades… meio complicado…).
O passeio foi bacana, conheci as ilhas de sedimentos, San Isidro e pegamos um trem até Santelmo. Lá encontrei uma feira de antiguidades e quase compro uma velha senhora de 80 anos que me ofereciam por 20 pesos… hehehe!!
Voltei pro hotel e às 19h acordei para ir assistir o show de tango mais tradicional de Buenos Aires: “Esquina Carlos Gardel”. Rapaz, foi um espetáculo! Dentro de um casarão, bati aquele rango maneiro, bebi um vinho de primeira e assisti um show e inesquecível!
Na volta, comprei alfajores, bebi mais da tradicional cerveja Quilmes e conheci o MALBA (Museu de Arte Latinoamericano de Buenos Aires), onde vi a Mostra “Vida Animada”, com as obras do norte americano Roy Lichtenstein - pintor, escultor, artista gráfico e um dos ícones da arte pop - tudo isso sem saber que semanas depois, junto com os hermanos, nós brasileiros também iríamos ser eliminados da Copa do mundo.

Dibujo para Chica llorando – Roy Lichtenstein
Falou, muchachos!