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Archive for Janeiro, 2010

Boas idéias dão resultados.

É bem provável que você já tenha lido (ou recebido por e-mail), esse texto bem antigo que rola na internet, sobre um cego em Paris:

Dizem que havia um cego sentado na calçada em Paris, com um boné a seus pés e um pedaço de madeira que, escrito com giz branco, dizia: “Por favor, ajude-me, sou cego”.

Um publicitário, da área de criação, que passava em frente a ele, parou e viu umas poucas moedas no boné. Sem pedir licença, pegou o cartaz, virou-o, pegou o giz e escreveu outro anúncio.

Voltou a colocar o pedaço de madeira aos pés do cego e foi embora. Pela tarde o publicitário voltou a passar em frente ao cego que pedia esmola. Agora, o seu boné estava cheio de notas e moedas.

O cego reconheceu as pisadas e lhe perguntou se havia sido ele quem reescreveu seu cartaz, sobretudo querendo saber o que havia escrito ali. O publicitário respondeu:

“Nada que não esteja de acordo com o seu anúncio, mas com outras palavras”.

Sorriu e continuou seu caminho.O cego nunca soube, mas seu novo cartaz dizia: “Hoje é Primavera em Paris e eu não posso vê-la”.

Talvez tenha sido inspirado nele, que foi desenvolvido esse filme bem interessante da Associação Portuguesa dos profissionais de Marketing.

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Criatividade é uma questão de pular ou não.

“Cheguem até a borda, ele disse. Eles responderam: Temos medo. Cheguem até a borda, ele repetiu.
Eles chegaram. Ele os empurrou… e eles voaram.” – Guillaume Apollinaire

Os olhos pesam. Já nem me lembro se esta é a terceira ou quarta xícara de café que anseia pelo grande momento. Ela me olha como se me cobrasse alguma coisa, “você pode”, diz a xícara, enquanto a tela do computador me hipnotiza.

Levanto. Desligo todos os sons em volta, abro a janela, quem sabe os passarinhos me tragam a tão esperada inspiração. Nada. Observo os esquilos no jardim, numa busca incessante por qualquer coisa que eles tenham enterrado antes da neve cair.

Faz frio e eu tenho que entregar três textos hoje. Se escrever ainda fosse a minha profissão, mas não. Ainda tenho que pensar no meu trabalho, a conta bancária exibe frames do extrato na minha mente. A vida lá fora não me deixa abstrair, os problemas martelam e a leveza escorre pelos dedos.

Dou mais um gole no café e tento escrever meia dúzia de palavras que são deletadas instantaneamente. Por onde anda aquele “santo que baixava”, a tal da criatividade? Onde foi que eu perdi aquele momento em que nada segurava a minha caneta no caderno?

Desligo o computador e leio um pouco de Caio Fernando Abreu. Pego meu caderno e uma caneta. Vou para a janela e desejo ser um esquilo: saltitante, sem nada pra fazer além de enterrar e desenterrar nozes. Eles brincam de pega-pega. Eu sorrio.

E então a minha caneta começa a correr solta por uma folha de papel pautada. Não tenho tempo de respirar. O telefone toca, agora não. Nada mais me atrapalha. As palavras correm líquidas e eu me lembro que numa folha qualquer eu sempre posso desenhar um sol amarelo. E me lembro de mais uma porção de coisas, e escrevo. Escrevo compulsivamente. E vôo.

**

A criatividade ainda está guardada numa dessas gavetas do nosso cérebro. Não é privilégio de poucos, ela pode ser trabalhada e incentivada. Ela também não some, está sempre dentro de você, esperando para sair.

A criatividade deseja ser aberta e vir à tona, mas tem medo de muita coisa. É como uma criança de cinco anos e, talvez por isso, seja tão nossa amiga quando somos crianças. Ela se assusta com o menor assunto sério, com o primeiro sinal de adultice. É preciso arrumar a casa antes de recebê-la. É preciso limpar todas as migalhas de problemas. É imprescindível abandonar a zona de conforto e se libertar de qualquer pensamento que impeça o processo criativo.

Mas tem um segredo, meu amigo: criatividade é o barranco. Ela é a linha tênue entre o medíocre e o original. E a diferença entre o criativo e a pessoa comum é que o primeiro pula, e só então descobre que tem asas. O segundo se questiona. “E se eu não tiver asas? E se as minhas asas não funcionarem? E se alguém não aprovar?”

O segredo é pensar como uma criança: se não tiver asas, a gente bate os braços. Uma criança jamais perderia a oportunidade de pular.

Não tenha medo, não se julgue e não julgue o produto final. Apenas crie. Não apague nada, continue. Desenhe, cante, fale besteira, procure um livro, imagens, um site que te inspire. Fale com gente que te inspira. Ria, mas ria muito. A segunda coisa mais eficiente para um processo criativo é a risada (a primeira é a bebida, mas não siga meu conselho). E, sim, esteja sempre apaixonado. Por alguém, por alguma coisa, pela vida. Não há inspiração sem amor.

Agora venha comigo, chegue até a borda. E voe.

Criatividade é uma questão de pular ou não é um texto de  Milena Castino, publicado originalmente na CASA DO GALO. Achei bastante inspirador, poético até…

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